quarta-feira, 18 de maio de 2011

Relacionamentos são estranhos..na sua maioria se desgastam, de uma maneira sutil...quando nos damos conta JÁ ERA...


"tenho pensado muito nos teus olhos. cor de avelã. folhas de outono. perdi-os nas estações.os teus lábios, como as cerejas pedem dias quentes. e a minha boca serão todos os teus dias. e a tua face todas as minhas noites. tenho pensado muito nesse tempo em que corrias. os braços ficavam-te curtos. ao nível da cintura. enrugados pela chuva. pegar-te-ei ao colo noutro inverno. levo-te às neves altas. subterfúgios. nunca soubeste dos bosques. como sebes são os teus cabelos. tenho saudades do teu corpo. pássaro ferido. as tuas lágrimas um caudal de rio. ao entardecer. e as tuas mãos. sempre as tuas mãos. tinham cidades adormecidas. pequenos ouvidos para contar grandes segredos. fomos morrendo. não há tempo, nenhum lugar é nosso. a foz nas tuas pernas. viradas para o mar. os pés como janelas entreabertas. nenhum peixe no umbigo. no teu peito nem um barco atraca. o sal nas dobras. só. sal e sargaço. e a morte sempre ali ao pé."

Do blog Na rua de cima

Nenhum comentário:

Postar um comentário